Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

NOVO ENDEREÇO: http://filosofiaes.blogspot.com/

 A mudança andava prometida. Tenho tido alguns problemas com os editores externos que uso para publicar no blog da sapo. Quando os problemas aparecem insisto muito com os técnicos de serviço, mas, talvez paranóia minha, fico com a sensação que estou a maçar demais, ao ponto de, talvez por isso, alguns mails meus não serem, sequer, respondidos. Se tenho a solução mesmo aqui ao lado, qual a razão de manter na Sapo que me tem deixado à perna meia dúzia de problemas? Agora é de vez. A partir de hoje, o blog, A Filosofia no Ensino Secundário passa a ter este endereço: http://filosofiaes.blogspot.com/.

Alguns posts antigos vão ser republicados passo a passo, principalmente o trabalho de análise de manuais. Mesmo assim, a FES na sapo não desaparece. Continua a funcionar como arquivo, ao passo que a continuidade é dada pelo novo endereço.

Para já, quem sabe fruto do calor, estou em desânimo para criar um aspecto original. A minha opção recai sempre entre o simples e o irreverente, quase punk. Para o efeito prefiro o simples: texto a negro e fundo branco. Espero que seja do agrado de todos, mesmo confundindo-se um pouco com o aspecto de um outro blog no qual ocasionalmente colaboro, que é o da Crítica.

Agradeço que actualizem o endereço nos vossos links.

publicado por rolandoa às 01:09

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Nova religião digital

 Uma vez mais, no blog de software Peopleware, o colaborador Rui Oliveira faz luz sobre a religião da nova era digital, o freeware. Como estou impedido de usar livremente a secção de comentários desse blog, escrevo aqui algo sobre um dos últimos posts do autor. Claro que o que aqui interessa é lançar alguns argumentos para uma questão que ainda está longe de encerrar uma verdade, motivo autosuficiente para debater o problema. A notícia do post refere-se a uma condenação nos EUA por um utilizador da internet que tirou músicas livremente sem as pagar, numa habitual partilha de ficheiros. Mas a verdade é que no último parágrafo do texto, Rui Oliveira levanta um problema interessante:

 

 “Imagine que você vai a um concerto da sua banda favorita e grava algumas das suas músicas e mais tarde distribui aos seus amigos. Será que está a fomentar a pirataria ou simplesmente a promover a sua banda favorita?

 

Bem, não me parece de todo que ao objectar aqui um argumento do Rui, esteja intencionalmente a publicitar o seu trabalho, mas em certo sentido é verdade         que faço alguma publicidade, ou, numa palavra talvez com conotação menos comercial, faço alguma divulgação. O problema que aqui se pode colocar é se o meu acto prejudica o interesse de terceiros? No caso da música prejudica e já explicarei o meu argumento. Mas nas caixas de comentários alguns leitores referem que muitos músicos enriquecem graças à divulgação massiva proporcionada pela internet. E tal até é verdade, não só para músicos, mas também para escritores por exemplo. Mas é preciso pensar que artistas beneficiam que a divulgação massiva da internet? Serão os pequenos artistas ou, pelo contrário, os artistas com pouca ou nenhuma projecção?

Nos primeiros anos da internet, muito se teorizou sobre o assunto e parecia mais ou menos pacífico o argumento de que finalmente os artistas se podiam ver livres das imposições comerciais dos grandes grupos editoriais. Alguns músicos famosos como David Bowie foram pioneiros ao disponibilizarem músicas suas, inéditas e de forma gratuita na internet. A verdade descoberta principalmente com o advento da net 2.0 é que a internet não livrou os criadores das imposições de mercado e do capitalismo agressivo. Artistas como David Bowie ou como o caso mais recente dos Radiohead, podem disponibilizar discos inteiros na internet cabendo ao utilizador a decisão se quer ou não pagar alguma coisa para descarregar o disco. Ao mesmo tempo não faltam companhias e empresas ansiosas de patrocinarem operações desta natureza. Algumas delas – como o caso dos Radiohead – são decisões apoiadas pelas próprias editoras. E por que razão isto acontece? Precisamente porque só os grandes e gordos artistas beneficiam com o download gratuito. Continuam a viver da música, sempre acompanhados de grandes e chorudos patrocínios, ao passo que o pequeno criador continua, como antes do advento da internet, a ser esmagado pelo mercado absorvido pelos grandes. Se o José Saramago quiser disponibilizar o seu mais recente livro gratuito na internet, não lhe faltarão patrocinadores a pagar bem, assim como milhares de utilizadores vão pagar livremente 1 ou 2 euros para descarregar o livro. Eu já paguei para descarregar livros quantias como 1€. E fi-lo de livre vontade. Acontece que o pequeno artista, que tem um emprego como caixa de supermercado e faz música nas horas livres, se depara com as seguintes dificuldades:

1)      Oferece gratuitamente o seu disco na internet, mas ninguém lhe vai pagar nem sai do pequeno circuito de amigos e conhecidos

2)      Não consegue qualquer patrocinador, nem ganhará milhões na publicidade já que as regras de mercado são essas: não chega a muita gente, logo, não vende e não é apoiado.

Neste passo o mais provável é que o leitor esteja a pensar: mas, afinal, qual a diferença do mundo de mercado antes da internet e depois da internet? A resposta é simples: nenhuma! E o problema é mesmo esse. O freeware, ao contrário do que argumentam muitos dos seus adeptos, incluindo Rui Oliveira, não constitui qualquer versão alternativa do funcionamento das coisas ao que já conhecíamos mesmo sem internet. O freeware não combate o monopólio da Microsoft. É mais do mesmo.

Mas existe uma diferença e que se liga directamente ao que estou aqui a defender. Se um disco é gravado numa editora, ele não só dá emprego às pessoas da editora, como alimenta todo um processo económico de distribuição e venda. Por exemplo, quando vamos à Fnac e compramos um disco estamos a pagar ao artista, à editora, à empresa que produz a matéria prima de que é feito o disco, à empregada da limpeza, etc. No freeware e com a net 2.0 grande parte deste trabalho é produzido gratuitamente e por amadores. Quem ganha com isto? Os gordos da Google, por exemplo. Como se vê o mundo do gratuito e do freeware não constitui qualquer alternativa para controlar os grandes grupos económicos, com a agravante de que os monopólios criados são governados por um núcleo de pessoas muito reduzido, como são exemplos a wikipédia, muitas versões Linux e a Google. Eles são outra face da mesma moeda e continuam a existir, razão pela qual tenho pensado que só o fanatismo digital pode conduzir pessoas como Rui Oliveira a não conseguirem observar esta realidade. Mas o Rui é um exemplo de um blog que sigo. Como ele muitas outras pessoas igualmente com conhecimentos sólidos nas mais variadas matérias, defendem a mesma religião free. E ao contrário do que observa o autor do post que motivou este meu texto, o problema não é unicamente legal. Antes de ser um problema legal é realmente um problema que merece ampla discussão, já que ninguém tem a verdade no bolso pronta a servir.

publicado por rolandoa às 16:20

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Domingo, 2 de Agosto de 2009

Problemas again

 De novo problemas com a sapo blogues, impedem-me de estar a postar com maior frequência. Vamos ver se é mesmo desta que mudo de vez de fornecedor de serviços. Tanto o Zoundry Raven, como o Windows Live Writter, os dois editores de texto de recurso, deixaram de identicar a conexão. Vamos esperar a resposta da parte da Sapo e decidir de vez se é mesmo desta que se avizinha a mudança de morada. Claro que tenho o editor interno do blog, mas desse já nem quero falar pois os recursos são poucos e perde-se muito mais tempo para compor um post com imagens. De todo o modo, como também tenho direito a férias, vou aguardando até publicar os posts prontos sobre Michael Ruse e Mani Bhaumik.

publicado por rolandoa às 19:16

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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Escolha um título, ganhe um livro

Sem título A revista Crítica, através do seu blog está a promover um interessante concurso para o nome de uma obra a sair brevemente nas Edições 70, sobre filosofia da religião, a Cambridge Companion to Atheism. Para participar basta aceder ao blog e sugerir um título para a obra. E que tal simplesmente, “Antologia de textos sobre filosofia da religião”

publicado por rolandoa às 23:26

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Domingo, 26 de Julho de 2009

A censura na nova religião digital

censura Um dos blogs mais informativos que conheço em língua portuguesa sobre novo software é o Peopleware. Vários são os cronistas do blog, apesar que notei que alguns dos autores servem a comunidade de modo tendencialmente ideológico, principalmente quando toca à defesa irracional do software livre e nos ataques frequentes a empresas que cobram pelo seu trabalho, nomeadamente a Microsoft. Não vejo problema algum na defesa racionalmente argumentativa de que o software livre é melhor do que o pago. Só não vejo qualquer razão para que tal se defenda de modo irracional, como se de uma religião se tratasse. Tenho vindo a notificar, principalmente os artigos assinados por Rui Oliveira, desta circunstância, em que não se deve confundir uma defesa religiosa com uma defesa com argumentos racionalmente pensados. A solução dos autores do blog foi a de censurar os meus comentários. Claro que a solução mais fácil é a de calar aqueles que não concordam com as nossas ideias, aumentando assim a ilusão de que o mundo é tal qual o pensamos. Acontece que na esmagadora maioria das vezes a realidade é muito mais abrangente do que os nossos desejos e hoje não é incomum encontrar boa bibliografia a esgrimir argumentos contra e pró freeware. O que não me parece racionalmente aceitável é deixar no silêncio aqueles que não estão de acordo com as nossas teses, pois tal atitude demonstra uma clara falta de capacidade racional de argumentar, principalmente quando apresentamos um trabalho público com comentários abertos. É certo que também eu no meu blog já apaguei alguns comentários, mas nunca o fiz porque fossem comentários que objectassem as minhas posições. Apaguei e apago comentários quando eles são deslocados em absoluto do problema em debate. De resto, todos os posts que apresentam problemas não os tomam como verdades consumadas onde a discussão não tem mais lugar e só se abre espaço ao elogio e às dúvidas mais comezinhas, aquelas que sabemos sempre responder. Para quê então ter uma secção aberta de comentários se não admitirmos discussão para os nossos posts? Se publicamos posts com a exposição de uma tese racional perante um problema, qual a razão de não aceitar comentários que apresentam objecções? Tal como a maioria dos seres humanos, provavelmente por estupidez, também eu reajo aos fanatismos religiosos, mas sempre dentro dos limites do discutível. Que razão existe então para a censura de comentários que pura e simplesmente objectam as nossas teses?

É verdade que o amadorismo da internet está cheio destes casos. 99% do que hoje se publica on line é puro lixo amador. Mas também é verdade que exigimos um pouco mais de algumas publicações e um dos objectivos nobres é sempre o de manter a qualidade das nossas posições. Relativamente ao mundo da internet há muito a discutir e as verdades ainda não são reveladas, aliás, como relativamente a tudo o que envolve o gesto humano.

Em conclusão, no blog Peopleware defendi uma posição. Tenho-a defendida várias vezes e, ainda que as minhas palavras discordantes possam não saber bem psicologicamente aos autores, fui voltado ao silêncio. Não serei porventura um anjo, mas exige-se mais liberdade na discussão pública de ideias.

publicado por rolandoa às 00:18

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Domingo, 19 de Julho de 2009

Filosofia na web – Problemas Filosóficos

Sem título O Problemas Filosóficos é o blog pessoal de filosofia de Alexandre Machado e tem sido várias vezes referido no blog da Crítica. O blog tem textos filosóficos pessoais do autor, racionalmente muito bem montados e estimulantes, não só para leitores mais comuns, como para aqueles que possuem interesses mais avançados. Fica a sugestão.

publicado por rolandoa às 16:09

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Sábado, 18 de Julho de 2009

Mais um “AQUI”

Bem, vale a pena aproveitar as ferramentas DIY (do it yourself) das modernas tecnologias para contribuir no desenhar do mapa dos saberes. Como? Dando também ligações para o que de melhor podemos encontrar para ler na internet. Só os melhores filtros sobrevivem se estiver em causa a verdade e a seriedade. Os outros sobrevivem somente à custa do marketingue e publicidade. Segue então o link para a leitura de um texto que traduz uma boa síntese do mal que incorre num ensino facilistista. O autor é o ensaísta João Lobo Antunes e pode ser lido AQUI.

publicado por rolandoa às 15:57

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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Uma situação moral comum

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Suponha o leitor que comprou uma casa nova e que o custo mensal da sua casa nova representa um grande esforço para si. Vem a descobrir pouco tempo depois que tem vizinhos que pouco respeitam as regras básicas de convivência, sujam os espaços comuns, tem um cão a ladrar dentro de casa pela noite e chegam a más horas alcoolizados fazendo barulho, para além da típica música pimba ao sábado de manhã a altos berros. Questiona-se como é que tal gente tem dinheiro para pagar o apartamento já que para o leitor representa tanto esforço e não pode dar-se a certos hábitos como alcoolizar-se a meio da semana. Descobre dias depois que essa família tem rendimentos baixos e que conseguiu a casa com um protocolo com o governo. O legal proprietário dispôs a casa para o governo alugar e oferecer a preços baixos a famílias de baixos rendimentos, visando desta forma dar-lhes habitação decente e integração social. A questão é: que obrigação moral temos de socializar pessoas nestas condições? Esta questão tem contornos legais, como é claro, mas foi um problema que a minha esposa me colocou um destes dias. Perguntou-me: tu, como filósofo, como avalias moralmente esta situação?  E o leitor, o que pensa disto?

publicado por rolandoa às 17:21

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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

E?

Não é hábito trazer para aqui questões políticas, já que o FES destina-se à divulgação da filosofia, mas há coisas que são mesmo irritantes. Acabei de ler num jornal on line:

Educação: 125 mil vagas em cursos profissionais no próximo ano lectivo – Sócrates

E daí? Isso é bom ou mau para os nossos estudantes? Se é bom, é bom em que medida? Que vantagens sociais e pessoais traz o aumento esmagador do ensino profissional? Não existe aqui uma petição de princípio?

O que sabemos é que está ainda por avaliar as reais causas do sucesso dos alunos no ensino profissional, que passam de 7 no ensino regular a 17 no ensino profissional, mesmo não desmerecendo as qualidades do ensino profissional.

publicado por rolandoa às 15:16

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Exigências para se ser médico

img_cadastro_medicoAQUI falei sobre o absurdo das médias de entrada no ensino superior no curso de medicina. Mas o lobby da Ordem dos Médicos parece não ter qualquer travão. Recentemente ouvi nas notícias um elemento da Ordem dos Médicos insurgir-se contra o método de selecção dos futuros médicos na Universidade do Algarve. Segundo apurei este curso privilegia capacidades como rigor no raciocínio crítico e capacidade analítica de problemas. Mas para a Ordem dos Médicos o importante é a reprodução social da riqueza e do estatuto. Se as pessoas querem estudar medicina, deixem-nas estudar que na quantidade surgirá de certeza a qualidade. O mais interessante é que tudo quer fazer parecer que temos um sistema altamente rigoroso de entrada no ensino superior, com exames complicados e médias elevadas. Mas na prática não temos um ensino superior com mais qualidade daqueles dos países nos quais o acesso é mais facilitado. E é esta razão que me faz querer que as médias elevadas no curso de medicina não estão ligadas a qualidade e rigor, mas a pura birra de uma Ordem que funciona segundo o espectro salazarista.

publicado por rolandoa às 09:13

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Domingo, 28 de Junho de 2009

Fabulástico!!!

Ora aqui está o quadro que mostra como se pode ir do 8 ao 80 em 2 ou 3 anos. E alguém acredita que isto é da força política? Ou isto não será mesmo uma mentirazeca bem metida? Não é socialmente mal visto acabar com o exame de filosofia, mas seria muito mal visto acabar com o exame de matemática. Caso contrário seria essa a fórmula mágica para acabar de vez com chumbos em exames de matemática. Mas é sempre bom saber que de repente, estudantes que há uns 5 anos se viam aflitos para alcançar resultados positivos a matemática e que nada tendo mudado na forma de a ensinar, esses rapazes e raparigas são hoje jovens promessas no campo da matemática. Um destes dias só falta mesmo dizer que a média de positivas ao exame de filosofia é de 100%, já que se acabou com ele. Já há quem fale por aí em milagre. Eu prefiro pensar que se trata de uma mistura muito bem feita entre fabuloso e fantástico ou – fabulástico!

Fonte da notícia: Dúvida Metódica

o_falso_milagre_da_matem_tica_5_

publicado por rolandoa às 23:27

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FpC em Paredes de Coura e em outras escolas

ng1159362 O Diário de Notícias do passado dia 18 de Junho, noticia o projecto de filosofia para crianças dos colegas de Paredes de Coura. Referencia o projecto como pioneiro na escola pública em Portugal. Mas tal não é verdade. Existem projectos de FpC em muitas outras escolas, incluindo a escola em que lecciono. Não interessa quem é mais bonito do que quem, mas fica reposta alguma justiça a todos os colegas que têm desenvolvido a FpC na escola pública portuguesa. A notícia pode ser lida AQUI.

A fotografia é retirada do próprio DN

publicado por rolandoa às 23:06

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Michael Jackson e o problema da identidade

michael-jackson-ugly Um dos problemas abordados no livro de James Rachels, Problemas da filosofia (Gradiva, 2009) é se a continuidade corporal é um critério forte para resolver o problema da identidade. Parece que não é. Michael Jackson colocou publicamente esse problema nas mutações, principalmente na cor de pele, que infligiu ao longo da vida ao seu próprio corpo. Com efeito, mesmo após todas as mudanças, continuou sempre a ser o Michael Jackson. Ou não?

publicado por rolandoa às 10:07

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Esclarecimento

Fiz algumas confusões nos dois posts sobre as declarações da SPM em relação aos exames de matemática. Na verdade tratam-se de declarações referentes a exames diferentes, um de Matemática A e outro de Matemática B. E já agora aproveito para concordar com a leitura que Aires Almeida fez num comentário ao post anterior, a de que devem ser os professores a certificar os manuais escolares se chegar a existir esta modalidade. Com efeito há razões para pensar que os professores do ensino secundário devem também integrar as fileiras das sociedades científicas fazendo a ponte entre realidades de ensino tão distantes, a do ensino superior e a do ensino básico e secundário. Agradeço uma vez mais a Aires Almeida a correcção.

publicado por rolandoa às 21:54

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Em quem confiar?

Já se sabe que o jornalismo deixa de o ser, sério e fiável, quando sujeito a manipulações. Esta notícia (AQUI) desmente a que deu origem ao meu post anterior. E é bem feito para mim para não andar aqui a postar coisas que leio nos jornais. Assim ficamos sem saber muito bem se o exame de matemática é ou não facilitismo. Só não percebo muito bem por que razão anda a SPM a tecer considerações sobre os exames, mas não tem qualquer aval para os realizar. Faz isto algum sentido? Afinal temos uma Sociedade de Matemática com peritos altamente qualificados que detectam com perícia todos os erros dos exames da sua ciência, mas para os fazer são os técnicos do Ministério. Afinal a SPM só serve para estar “à coca” a ver se apanha as fragilidades dos técnicos da 5 de Outubro. Mas para que raio queremos as sociedades científicas se elas são ignoradas pelo ministério da educação? Não devia o ministério requisitar as sociedades científicas para revisão dos programas de ensino, elaboração de exames, certificação de manuais?

publicado por rolandoa às 08:59

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Era de esperar

os-burros[1] Já esperava que o actual ministério da educação continuasse a sua política em relação aos exames nacionais. A estratégia é simples e visa aumentar os resultados, colocando-os ao mesmo nível que os outros países da OCDE. Para os exames de disciplinas socialmente menos visíveis, como a Filosofia, acaba-se pura e simplesmente com eles, mesmo ignorando que mais de 300 cursos de licenciatura pediam esse exame, ainda que na maioria dos casos não em exclusividade. A vantagem é que o estudante com o exame de filosofia podia concorrer a vários cursos. Em relação aos exames de disciplinas que socialmente não se pode acabar com elas, como matemática e português a estratégia consiste em desvalorizá-los, decompondo-os no mais simples. É isso mesmo o que defende a SPM, como se pode ler AQUI. E é este o tratamento político a dar às massas.

publicado por rolandoa às 18:06

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Para pensar - ironias da profissão

rope3 Uma das necessidades que sinto como professor é a de formação na minha área científica. Ela é não só rara como obrigatória. Sou daqueles que de bom grado pagaria a formação se ela aparecesse. Como raramente aparece vou fazendo formação em áreas que pouco ou nada adiantam à minha prática lectiva e em quase nada me tornam melhor profissional. Esta semana quando me dirigi ao quadro de propostas de formação para este final de ano lectivo, a oferta era muito reduzida. Em filosofia nenhuma havia. Poucas ou nenhumas existiam em outras áreas científicas, como física, biologia ou história. A quase totalidade da oferta é em áreas de pedagogia romântica ou artes e ofícios (pintar azulejos, etc.) e em Educação Física (quase todas versando pouco em educação física propriamente dita, mas em pequenas actividades práticas). Mas vi duas que me despertaram a atenção. É certo que uma delas é destinada a professores de Educação Física, mas a outra (não me lembro bem qual das duas) é destinada a todos os docentes. Vale a pena observar os títulos e pensar um pouco o que raio vai fazer um professor de filosofia ou matemática a formações com os títulos que a seguir transcrevo:

Salto à corda, um salto para a saúde

Escalada – propostas de abordagem pedagógica no contexto escolar

Confesso gostar especialmente da segunda. Deixa-me a pensar que o uma vez chegado o verão posso sempre inventar uma actividade como:

Beber Cerveja na esplanada aqui ao lado: subsídios para a compreensão ôntico- epistemológico da circunstância metafísica do existir

Ou então:

Introdução ao tremoço em contexto da docência centrada na bipolaridade ensino- aprendizagem

Não sei que pensar. Aceitam-se sugestões.

publicado por rolandoa às 15:17

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Filosofia da arte em dose dupla

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publicado por rolandoa às 16:38

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Sistema de ensino sem chumbos

chumbo A propósito ainda do meu post anterior: Não sou defensor que se deva chumbar alunos quando eles não sabem grande coisa. Também não defendo a tese de que antigamente os estudantes aprendiam muito mais. Pelo menos a avaliar pela competência de muitos políticos, professores, médicos e advogados, entre outros profissionais dos nossos dias, posso constatar que antigamente (como se costuma chamar às duas gerações mais velhas) o ensino não era muito melhor do que é actualmente. Não me parece que a catástrofe dramática esteja toda alojada nas gerações jovens. Em muitos aspectos as novas gerações parecem-me mais aptas que as anteriores. E não defendo a ideia do chumbo sistemático dos alunos, pois não me parece que essa solução seja melhor do que a de os aguentar na escola aprendendo sempre mais alguma coisa. Qualquer sistema, o de chumbos ou a da escolaridade obrigatória sem chumbos tem consequências positivas e negativas. As mais imediatas são:

Positivas – o jovem tem de cumprir x anos de estudo, independentemente se sabe muito ou pouco, se progride rapidamente na aprendizagem ou se é mais lento. Mais vale estar na escola a aprender alguma coisa do que em casa onde, em regra, não tem as ferramentas para aprender.

Negativas – o natural desinteresse e indisciplina que daí decorre já que com um sistema sem chumbos, a luta pela nota fica grandemente afectada para um número muito grande de alunos. E a indisciplina promovida por algum sentimento de impunidade.

De todo o modo um sistema de ensino sem chumbos não implica que a escola tenha de admitir nas suas fileiras a indisciplina e o vale tudo. Não implica também, de modo algum, que os melhores não sejam premiados. Então, onde é que está o rigor de um sistema de ensino sem chumbos? Aparentemente para a maioria das pessoas um sistema de ensino sem chumbos implica a balda completa. Tal não é necessariamente verdade, ainda que se corra esse risco, do mesmo modo que se corre riscos num sistema de ensino com chumbos, por exemplo, premiando sempre os alunos socialmente mais beneficiados e que vêm ensinados de casa, em detrimento dos outros que não gozam dessa possibilidade. O rigor de um sistema de ensino sem ou com chumbos (é igual para ambos os sistemas) está nos currículos e naquilo que se ensina. E aqui é que me parece surgir o problema no sistema de ensino actual em Portugal. Pretende-se anular os chumbos dos alunos à custa de sacrificar o rigor dos programas de ensino. A consequência é termos maus manuais, professores pouco preparados, exames cada vez mais infantilizados, programas despidos de conteúdos próprios de cada disciplina. E a consequência social futura é continuarmos a ter gente incompetente, mas licenciados. Ora a finalidade de um sistema educativo não é chumbar alunos, é verdade, mas também não é o de distribuir diplomas para inglês ver. A razão da existência de um sistema educativo é primordialmente, o de formar pessoas capazes de dar contributos significativos para a comunidade. Mas isto só é possível com saber, muito saber e não conversas fiadas e brincar às escolas.

publicado por rolandoa às 00:10

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Administrativos do ensino

burocracia Segundo apanhei na internet, um relatório da OCDE conclui:

“Portugal é dos países onde os professores gastam mais tempo a manter a ordem na sala de aula e em tarefas administrativas e menos tempo a ensinar.”

(…) E a estudar, acrescento eu. Os professores fazem basicamente o que a tutela manda fazer. Esta é efectivamente a realidade que observo todos os dias. A maior parte do tempo dos professores nas escolas é passado a discutir e a tratar assuntos de ordem burocrática. Observar um grupo de professores a discutir activamente e com propriedade matérias de ensino, ideias, teorias, argumentos, é puro delírio. É tarefa de quem não tem mais nada para fazer. E isto é inteiramente verdade, os professores pura e simplesmente tem cada vez menos tempo para fazer a única coisa que lhes deve ser exigida: estudar e prepararem-se cada vez melhor. Estudar não é valorizado pelas políticas educativas, em especial a do último governo que tem sabido aprofundar esta realidade. Para que o professor estude menos (e os alunos também) e garantam ao mesmo tempo o sucesso educativo, há que: 1) acabar com os exames de disciplinas menos vistosas (como física ou filosofia) 2) tornar os exames o mais fáceis possível ( e não os programas o mais rigorosos possível – é que isto dá trabalho). Talvez se a humanidade fosse mais justa teríamos 100 mil professores na rua a protestar por mais tempo para estudarem e serem melhores professores tal como os tivemos a reclamar melhores condições profissionais. Se fosse exigido aos professores mais estudo, talvez tivéssemos um ensino baseado em conteúdos sólidos e talvez esse ensino mais entusiasmante captasse uma franja importante de alunos que se estão nas tintas para a escolês do eduquês. Talvez um dia tivéssemos melhores cientistas, médicos, professores, melhor economia e indústria, capacidade inventiva, etc. E tudo isto com um gesto tão simples: mandar os professores para casa estudar, que é a única coisa que deviam fazer para além das aulas, mas que é a única coisa que cada vez é menos exigida. E uma escola que não exige aos seus professores que estudem, é uma escola que não vai ter alunos interessados em estudar. A ideia não é ser dramático com este post, mas parece que a realidade caminha a bons passos para um ensino onde o saber, o conhecimento, a ciência, são confundidos com o saber fazer. É confundir a causa com a consequência. Na verdade defendo que nada se sabe fazer, se não se sabe pensar pela própria cabeça, se não temos produção filosófica, científica e artística.

Hoje ao final do exame de português do 12º ano os alunos na escola onde ensino diziam-me que o exame tinha sido fácil. O problema é que esta facilidade não é resultado do esforço e do estudo, mas em grande parte (mais que a desejável) é resultado do facilitismo. Ou estarei a ver mal as coisas?

publicado por rolandoa às 00:37

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Rolando Almeida

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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